Agredido pelo Convento de São Francisco

Uma história na primeira pessoa

Sou jornalista há quase 50 anos e um dos mais veteranos de Portugal (Carteira Profissional n.º 99).

Fujo o mais possível a publicar situações em que eu próprio esteja envolvido em termos pessoais. E muito menos gosto de trazer a público referências à minha vida privada – exactamente porque é privada e pretendo que assim permaneça.
Contudo, há momentos, como é o caso, em que se justifica infringir esse princípio.
Sobretudo porque entendo ser meu dever lançar este alerta, para que outras pessoas não sejam vítimas da mesma situação.
O que aconteceu foi o seguinte: no passado sábado à tarde fui ao Convento de São Francisco, em Coimbra, para assistir ao lançamento da fotobiografia do meu querido Amigo Dr. António Arnaut.
Decorreu num espaço que se mostrou muito pequeno para o elevado número de pessoas que acorreram, o que levou a que lá dentro estivesse imenso calor e um ambiente quase irrespirável.
A determinada altura dei-me conta de que um velho Amigo tentava chegar à saída da sala por se estar a sentir mal, pelo que decidi acompanhá-lo até cá fora. Ao regressar, com a luz forte de frente, não me apercebi de que havia vidros onde eu pensei ser a entrada, pelo que esbarrei contra um desses vidros.
Com a violência do embate, para além da forte pancada do vidro contra a cabeça, os óculos partiram e provocaram um golpe no sobrolho e um hematoma que viria a alastrar nas horas e dias seguintes (as imagens que acima publico foram tiradas no sábado, domingo e hoje, por essa ordem).
Quero salientar que logo surgiu um funcionário da Câmara Municipal de Coimbra, Filipe Carvalho, responsável pela gestão do Convento de São Francisco, que se mostrou de uma enorme gentileza e genuína preocupação com o que acabara de me suceder, tendo providenciado os primeiros socorros para estancar a hemorragia provocada pela pancada e até gelo para combater o edema que logo começou a manifestar-se.
A verdade é que, mesmo com o gelo, e com o posterior tratamento (primeiro de enfermagem depois a terapêutica médica) o edema foi alastrando (como as fotografias mostram), tal como os outros incómodos daí resultantes.
Pior do que isso, sem os óculos fiquei impossibilitado de conduzir, de ler, de escrever – e só hoje estou a começar a fazê-lo, com dificuldade, graças a uns óculos antigos que descobri, mas cuja graduação (de há muitos anos) é manifestamente insuficiente para as minhas necessidades actuais.

Vou hoje mesmo ao oftalmologista para ver o que se passa com este olho e para que ele me prescreva uns novos óculos, pois estes com que tento remediar são ineficazes e provocam-me incómodas dores de cabeça.
Segundo vários Amigos que continuaram a assistir ao lançamento do livro no Convento de São Francisco, minutos depois do meu acidente houve outras três pessoas que sucessivamente embateram, com estrondo, nos vidros, de cuja existência se não aperceberam!
Todo este relato visa lançar dois alertas:
O primeiro à Câmara Municipal, para que rapidamente mande colocar pequenos auto-colantes nos vidros, de molde a que as pessoas se apercebam de que eles ali estão.
O outro alerta é para quem se deslocar ao Convento de São Francisco: é aconselhável andar de braço estendido à frente do corpo, para detectar eventuais obstáculos vidrados, de forma a que não sejam vítimas da traiçoeira armadilha que me provocou todos estes prejuízos!
Dei conta desta situação na minha página do Facebook (exactamente pelas mesmas razões que aqui invoco) e em poucas horas recebi centenas de mensagens de Amigos e conhecidos, não só a manifestar a sua solidariedade, mas também a pontar outras situações análogas, no Convento de São Francisco e em outros edifícios, onde não são devidamente acauteladas as condições de segurança dos utentes, seja por razões de natureza estética (inaceitáveis!), seja por negligência (condenável!).

Das muitas mensagens que recebi, selecciono a do sociólogo Rui Zink, que refere:

“Este tipo de incidentes com vidros que ninguém vê são mais frequentes do que uma pessoa julga. Só que os da casa ficam sempre surpreendidos (e por vezes até divertidos) porque «toda a gente já sabe que ali há um vidro». As vistas curtas duns estragam a vista (ou o nariz) aos outros.”

 

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