Aida Valente, os primeiros 2 mil Kms da volta do Mundo já ficaram para trás

“As motas não são apenas para os homens. As motas são para os corações cheios de aventura e de sede pela vida!”.

Aida valente, a motard luso-americana que iniciou há dias uma volta ao Mundo, já andou cerca de 2 mil quilómetros e ainda nem saiu dos Estados Unidos. Está algures no Dakota do Sul, um dos Estados que compõem a Federação dos Estados Unidos da América.
Numa das imagens que publicamos com este texto, podem ver que o Dakota do Sul fica mais ou menos no mesmo paralelo de Nova Iorque, o ponto de partida desta volta ao Mundo.
A motard está, portanto, rumo ao Oeste, deverá querer ir até à costa do Pacífico para depois descer pela Califórnia até entrar no México.
Segundo as previsões de Aida Valente, esta volta ao Mundo deverá levar cerca de dois anos a ser feita e deverá terminar em Lisboa.
Aida Valente já nasceu nos Estados Unidos. As origens portuguesas estão no Concelho do Cadaval. Actualmente vive em Wading River, em Long Island, Nova Iorque.
A paixão pelas motas vem de família, diz Aida que lembrar o pai que “sempre teve motas, eu adorava andar com ele e foi ele que me ensinou a andar” numa outra viagem de memória até à infância.
“Quando era pequena vivia com os meus avós em Portugal e um rapaz amigo da família sentava-me no tanque da mota dele e andava comigo para cima e para baixo na nossa rua de pó. Quando ele regressava do trabalho eu estava sempre à espera para darmos a nossa voltinha diária”, relembra.
A decisão de dar a volta ao mundo de mota tomou-a há 12 anos, em conjunto com um irmão, também ele apaixonado por veículos de duas rodas. “A ideia era concretizar esta aventura com ele, mas ele tem filhos pequenos e não pode deixar o trabalho. Tenho pena de não fazer isto com ele, mas a oportunidade surgiu e eu aceitei. Talvez um dia ele possa encontrar-se comigo no caminho”, conta Aida.
“Não tenho medo desta viagem. Tenho receio é que a minha vida chegue ao fim sem que eu tenha realizado o meu maior sonho”, diz Aida. “Poder documentar o mundo através das minhas fotografias será, sem dúvida, uma das melhores experiências desta aventura. Há pessoas que têm este mesmo sonho e nunca o poderão realizar. As minhas fotos podem transportá-los comigo, através da imaginação”.
Para uma epopeia deste tipo, são precisos meios, que até ao momento têm saído quase exclusivamente dos bolsos de Aida e Paul Acaria, o amigo de Aida e que a acompanha nesta viagem. “Nós estamos a pagar pela viagem sozinhos. Até hoje não recebemos ajuda financeira. Recebemos capacetes da NEXX, uma empresa portuguesa, botas, mochilas para as motas e algumas outras coisas de outros patrocinadores, mas não dinheiro”, revela.
As noites serão, na sua maioria, passadas ao ar livre. “Vamos acampar cinco a seis noites por semana e nas restantes ficaremos num hotel, ou em casa de alguém que nos ofereça um sofá e um duche”, conta Aida ao mesmo tempo que formula um desejo: “gostaria de tomar um duche uma vez por semana, se possível!”

Portugal será o ponto final nesta viagem de dois anos. Mas países como Chile, Argentina, Brasil, Itália, Grécia, Cazaquistão ou Camboja são países que fazem parte do roteiro e que preenchem o imaginário desta luso-americana.
Sobre as razões de tamanha paixão pelas motas, Aida Valente, de 43 anos, não tem dúvidas. “Existe uma sensação de liberdade que não existe nem carro. O vento, a estrada, a mudança de temperatura, o cheiro do ar… até a chuva! Todas as sensações estão bem presentes. Não existe lugar que uma mota não possa atingir. Haja vontade e tudo é possível”, afirma.
Para as mulheres, fica ainda uma última palavra de Aida Valente. “As motas não são apenas para os homens. As motas são para os corações cheios de aventura e de sede pela vida!”.

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