Cantanhede vai ter cultivo de canábis

Volta e meia a GNR detecta e destrói plantações de canábis. A maioria das vezes trata-se de pequenos “jardins de inverno” ou pequenas hortas de produção caseira e com pequeno potencial comercial.
Mas há grandes plantações dessa planta psicotrópica, muitos hectares ao ar livre ou em estufa, investimentos de vulto feitos por empresas multinacionais e, nessas, a GNR não toca. É tudo legal, autorizado pelo governo, paga IRC e ocupa alguma mão-de-obra nacional. É o caso da plantação de canábis que foi, agora, anunciada pela empresa Tilray que vem do canadá para Portugal investir 20 milhões de euros na produção de canábis com fins medicinais.
A escolha de Portugal para o investimento na Europa desta empresa líder mundial na produção de canábis deveu-se, segundo o seu presidente executivo, ao facto de o país ter acesso ao mercado comum e aos trabalhadores altamente qualificados na área da biotecnologia.
Contudo, destacou, o principal fator foi mesmo o clima, favorável ao desenvolvimento da planta canábis.
“Portugal tem o clima ideal (…). O clima foi extremamente importante na escolha”, disse Brendan Kennedy, presidente executivo da Tilray.
Os campos de cultivo, unidades fabris e laboratórios da Tilray em Cantanhede empregarão 100 pessoas e o volume de produção deverá superar as 60 toneladas anuais, até final de 2018.
A canábis medicinal e as substâncias derivadas de canabinoides produzidos em Portugal terão como destino os países europeus, sobretudo a Alemanha, onde no início deste ano foi legalizada a canábis para fins terapêuticos, disse Brendan Kennedy.
O responsável explicou ainda que a empresa quer levar a cabo, em Portugal, investigação sobre a eficácia da canábis em várias doenças, como stress pós-traumático, doença pulmonar obstrutiva crónica, epilepsia pediátrica e náuseas provocadas pela quimioterapia, através de parcerias com investigadores académicos e hospitalares, como já faz noutros países.
No entanto, o uso de canábis para fins medicinais é proibido em Portugal. No início do ano, foi noticiado que o Bloco de Esquerda pretendia avançar ainda este ano com iniciativas para legalizar a canábis para uso terapêutico, bem como para recreativo, mas até agora ainda não entrou qualquer legislação no Parlamento.
As instalações da Tilray para a produção de canábis situam-se perto do parque biotecnológico BIOCANT em Cantanhede, distrito de Coimbra.
Ainda este mês, a empresa prevê que arranque a construção de instalações para cultivo e processamento da canábis, incluindo campos de cultivo, estufa de 10.000 m2 (metros quadrados), instalação de processamento de 1.500 m2, laboratório interno e banco genético. O objetivo é estas infraestruturas estarem concluídas até à primavera de 2018.

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