Está a chegar mais uma noite infernal para bombeiros e populações

Mais de 2 mil bombeiros estão em acção a combater inúmeros incêndios florestais, um pouco por todo o lado, mas principalmente na zona centro do país. Muitos reacendimentos surpreenderam os bombeiros cansados de muitos dias de combate incessante. Está a chegar mais uma noite infernal.

Um incêndio no concelho de Torres Vedras, distrito de Lisboa, obrigou esta tarde, por volta das 16h00, ao corte da A8 – Auto Estrada do Oeste nos dois sentidos.
Relatos de automobilistas falam de longas filas de carros parados nos dois sentidos e, ainda, da estranheza da concessionária da A-8 manter as portagens em funcionamento. Ou seja, os veículos entravam na auto-estrada para depois se acumularem no local do corte devido ao incêndio. Incompreensível e uma atitude que poderá resultar numa ratoeira para os automobilistas.

Muitos reacendimentos esta tarde

O incêndio de Ferreira do Zêzere, distrito de Santarém, que tinha sido dado como dominado, reactivou hoje à tarde, sendo que o fogo já entrou na localidade de Beco, segundo informações da Câmara Municipal.
O fogo está a ir em direcção a Dornes. Está medonho”, disse o presidente do município, Jacinto Lopes, referindo que “há casas em risco”.
De acordo com o autarca, as chamas estão “a aumentar de intensidade” e lavram de forma descontrolada, considerando que “vai ser muito complicado” combater o fogo.
A Câmara de Miranda do Corvo activou hoje o Plano Municipal de Emergência devido ao incêndio “de grandes dimensões” que lavra na freguesia de Semide e que coloca “em risco” diversas casas de cinco aldeias, anunciou a autarquia.
“O Plano Municipal de Emergência de Miranda do Corvo foi activado às 18:00. O fogo está a ameaçar diversas habitações nas aldeias de Canas, Chãs, Vale de Colmeias, Cimo de Vila e Lata”, indica a autarquia, em comunicado.
Segundo a GNR, o fogo teve origem na freguesia de Torres do Mondego (concelho de Coimbra), estando cortada nos dois sentidos a Estrada Nacional 17 (Estrada da Beira), entre Ceira e São Frutuoso.
A página da Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC), consultada cerca das 19:15, indica que este fogo está a ser combatido por 211 operacionais, apoiados por 57 viaturas e 3 meios aéreos.
O incêndio que deflagrou na quinta-feira na Mealhada, distrito de Aveiro, e que foi dominado durante a noite, reactivou hoje às 16:53 e está “a arder com muita intensidade”, informou a Proteção Civil.
O incêndio tinha sido dado como dominado por volta das 02:00, mas agora as chamas lavram a floresta “com muita intensidade”, entre Igreja Velha e Pisão, localidades da freguesia de Barcouço.
Segundo a Protecção Civil é provável proceder-se “à evacuação de um lar”, em Barcouço.
De acordo com a página da Proteção Civil, o incêndio, às 18:20, era combatido por 258 operacionais, 65 meios terrestres e dois meios aéreos.
O incêndio florestal começou pelas 12:30 de quinta-feira, na freguesia de Barcouço, perto do limite com o município de Coimbra.

Exército envia ajuda para os bombeiros

Quase 600 militares e 116 viaturas estão hoje no terreno a ajudar no combate aos incêndios, em missões de apoio à Protecção Civil, Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas e diversos municípios, anunciou o Exército.
Segundo o Exército, estão ainda empenhados no combate aos incêndios 15 pelotões de rescaldo e vigilância pós-incêndio e quatro destacamentos de engenharia, nas regiões de Aldeia do Mato (Abrantes), Paredes (Vila Real), Rio Côvo (Mealhada), Canal Caveira (Grândola), Portunhos (Cantanhede) e Caldas da Felgueira (Nelas).
De acordo com a página na Internet da Autoridade Nacional de Protecção Civil, consultada cerca das 18:15, estão esta tarde em curso 28 incêndios rurais, que mobilizam 2.045 operacionais, apoiados por 574 veículos e 24 meios aéreos.
São destacadas pela Protecção Civil como “ocorrências importantes” os incêndios que lavram nos concelhos de Montemor-o-Velho (distrito de Coimbra), Ferreira do Zêzere (Santarém), Cantanhede (Coimbra), Mealhada (Aveiro) e Abrantes (Santarém), este último já em resolução.
Quando a noite chegar, os aviões e helicópteros de combate aos incêndios vão ter de parar e os bombeiros ficarão sozinhos nesta luta infernal.

 

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