Incêndios florestais, alterações climáticas, impulsos criminosos e uma floresta perigosa

Até agora, 137 pessoas foram detidas por suspeita de terem incendiado florestas, em todo o país. Este número duplica a estatística registada no ano passado e a época de fogos florestais ainda não terminou.
Segundo o comandante operacional nacional da Protecção Civil, Rui Esteves, na última semana, dos 713 incêndios registados, 232 tiveram início à noite. Ou seja, 23% dos incêndios da semana passada tiveram motivação criminosa.
Globalmente já arderam, desde o início do ano, 209 mil hectares – dados recolhidos no terreno – em contraposição com os 145 mil hectares destruídos em 2016.
Rui Esteves chamou a atenção para o índice meteorológico deste verão, nomeadamente para o facto de 58,9% do território estar ainda em seca severa e 37,8% em seca moderada, dados que fazem diferença quando se combatem incêndios.
Segundo dados do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) fornecidos à ANPC, o verão deste ano é o nono mais quente desde 1931, e é o sétimo mais seco.
“Estes dados são factos e são incontornáveis e é preciso tê-los bem presentes quando temos 137 detidos, um número grande de ocorrências de incêndio e quando temos vento forte que influencia o comportamento dos fogos”, disse Rui Esteves, acrescentando que 92% dos incêndios foram resolvidos em ataque inicial, uma melhoria no combate em relação ao ano passado.
Para os próximos dias, o comandante operacional nacional avançou que as temperaturas vão variar entre os 28 e os 32 graus, com vento moderado a forte, humidade relativa do ar próxima dos 30%, mantendo-se o risco de incêndio nas classes de ‘muito elevado’ e ‘máximo’ nos distritos do interior norte e centro e Algarve.
Ou seja, Portugal defronta-se com uma questão multidisciplinar quando se pretende combater eficazmente a questão dos incêndios florestais. A somar à necessidade imperiosa de se proceder ao reordenamento da floresta, diminuindo o percentual de eucaliptos e pinheiros, reintroduzindo espécies autóctones, temos de acrescentar à equação os actos criminosos, o apetrechamento dos bombeiros e, ainda, as alterações climáticas que estão a influenciar os ciclos de seca e de pluviosidade.

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