Na abertura do ano lectivo, protestos na Pontinha

Moradores da Pontinha, no concelho de Odivelas, distrito de Lisboa, manifestaram-se hoje contra a falta de estabelecimentos de ensino na vila, situação que os obriga a percorrer vários quilómetros para que os filhos possam frequentar a escola.
O protesto decorreu a partir das 18:00 e foi convocado por uma encarregada de educação que está “desesperada” e não tem “condições para suportar por mais um ano as deslocações para o único estabelecimento de ensino onde o filho tem vaga”.
“São dois anos consecutivos a levar todos os dias o meu filho da Pontinha para a Serra da Luz (cerca de 4 quilómetros). Este ano cheguei ao limite e decidi lutar pelos meus direitos. Para a Serra da Luz ele não vai. Ou me arranjam vaga na Pontinha ou ele não vai à escola”, afirmou, indignada, Vera Teixeira.
Em causa, explicou esta encarregada de educação, está o facto de as duas escolas básicas existentes na vila da Pontinha não terem vagas suficientes para as crianças que ali residem, situação que “piorou” depois de a escola básica Doutor Mário Madeira ter decidido eliminar o número de turmas e de anos, abrindo este ano lectivo com apenas duas turmas do 4º ano.
Já o outro estabelecimento escolar do ensino básico da vila da Pontinha, a escola básica Melo Falcão, não tem capacidade para responder a todas as solicitações.
Perante este cenário, os alunos que não conseguem vaga nestes estabelecimentos são reencaminhados para outras duas escolas (Serra da Luz e Paiã), que ficam também na freguesia da Pontinha, mas “a uma distância muito grande” da sua residência.
“O meu filho tem seis anos e só teve vaga na escola da Paiã. Eu entro no trabalho às 07:00 e não tenho ninguém que o possa levar à escola. Como é que eu vou fazer? Alguém que me arranje uma solução porque eu não tenho. Se ele não for para mais perto não consegue ir à escola”, afirmou Sónia Ferreira, outra encarregada de educação.
Por seu turno, a Câmara Municipal de Odivelas diz que o critério da área de residência não é dos mais prioritários na distribuição dos alunos pelos diferentes estabelecimentos de ensino.
Segundo a autarquia, os aspectos mais prioritários dizem respeito a necessidades educativas especiais ou à frequência no ano lectivo anterior daquele estabelecimento de ensino.

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