ROTEIROS ALGARVE – O luxo do Algarve exclusivo

Quinta-lago-dinner oliveira-tavira 2200 Guadalupe1- Guadalupe1- Quinta-lago-dinner ilha-deserta

Pelo luxo é que vamos, neste roteiro onde se celebra o Algarve onde se podem viver experiências inusitadas, escutar o silêncio, mergulhar sem roupa, reverenciar a história e a natureza. E um dos luxos das férias é ter tempo e fazer dele o que bem se quiser.

Obviamente, não entram nas sugestões espaços e lugares frequentados por milhares, com agendas ditas de “animação”. Sejamos elitistas, seguindo a definição de luxo que hoje é menos ostentação e mais exclusividade e experiências culturais, com uma pitada de consciência ambiental.

Mas é Agosto e a praia é uma tentação irresistível. Sejamos ousados! Na Ilha da Barreta, mais conhecida nos roteiros turísticos por ilha Deserta, estão disponíveis uns largos quilómetros de areias brancas e as águas são cálidas. É uma das praias naturistas oficiais do Algarve.

Chega-se à Deserta unicamente de barco, que parte do cais localizado junto à Porta do Mar, na muralha seiscentista do centro histórico de Faro. A viagem dura cerca de meia hora e há lugar de estacionamento (gratuito) no Largo de São Francisco, ali muito próximo. A única construção existente na Barreta/Deserta é um restaurante e basta não ficar logo início da praia para usufruir do maior luxo: espaço, silêncio, e mar, muito mar a perder de vista.

Seguindo na onda de praias sem têxteis, a Praia do Barril, junto a Tavira, é outra opção, situando-se a 1500 metros do terminal do comboio turístico.

Mas antes de lá se chegar, há que reverenciar um monumento natural único. É uma oliveira cuja datação oficial é de 2.200 Anos, e é considerada a árvore mais antiga do país. Ergue os seus ramos sinuosos no aldeamento turístico de ‘Pedras D´El Rey’ (bem sinalizado na EN 125).

Vai ser necessária a família toda para abraçar o seu tronco, que ao todo só pode ser rodeado pelos braços de cinco homens. O tronco divide-se em três braços onde estão gravadas as volutas do tempo e a copa mostra-se frondosa.
É um verdadeiro luxo, perante esta memória vegetal milenar, lembrar os versos de Fiama Hasse Pais Brandão, no seu poema Metafísica:
Todas as árvores apaziguam
o espírito
… As oliveiras não se movem
mas as formas da essência desenham-se
cada dia com o vento.

Esta é uma das 20 Árvores notáveis do Algarve classificadas como de ‘Interesse Público’ e por isso gozam de proteção idêntica à do património construído classificado, por estatuto criado em 1938. A Autoridade Florestal Nacional impede o seu corte ou poda sem autorização prévia e faz muito bem.

E por falar em luxo, jantar numa plataforma aérea, “pendurada” sobre a Ria Formosa é, no mínimo, uma experiencia inusitada. O “Dinner in the Sky” é uma proposta extravagante do restaurante Casa do Lago e acontece a 5 e 6 de Agosto na Quinta do Lago, o resort onde se testemunha ao vivo o charme discreto da burguesia europeia. Há que reservar no site do empreendimento. Cocktail, jantar e pôr-do-sol constam da ementa.

Resta-nos ainda vontade para uma viagem no tempo, em busca dos sons límpidos do alaúde, das flautas e do adufe, que se farão ouvir na nave da Ermida de Guadalupe, situada na estrada que conduz a Sagres.

Enquanto a arqueologia oferece variantes quanto à sua edificação, o imaginário popular, e quem somos nós para o contradizer?, proclama que a ermida foi mandada construir pelo Infante D. Henrique, no âmbito da “Escola de Sagres”, para que os marinheiros ali pudessem encomendar corpos e almas, antes de encetarem as temerárias viagens das Descobertas.

A Ermida é vizinha do seu paço de Terçanabal (já desaparecido) e mantém intacta a mística, numa construção robusta, severa, de nave única, lateralmente suportada por poderosos e gigantes contrafortes.

No interior, o templo usufrui de uma iluminação mágica, com encordoados, redes e figuras humanas nos capitéis, provavelmente relacionadas com os cativos que os confrontos entre a Europa cristã e o Magrebe islâmico obrigava a resgatar e amparar.

Regressando ao presente, o concerto “Senhora del Mundo”, na Ermida Nossa Senhora da Guadalupe, terá como interpretes Joana Godinho, mezzo-soprano, Daniela Tomaz, flautas e adufe, e Eduardo Ramos que dirigirá a partir do alaúde e realiza-se a 4 de agosto pelas 17h00.

O ciclo “Sons Antigos a sul” de 2017 decorre todas as sextas feiras, nos dias 4, 11, 18 e 25 de Agosto. Para ouvir em silêncio. Porque “Luxo é ter o tempo e o silêncio que se quer e precisa”, como diz o escritor e músico Humberto Gessinger.

Veja também Mais do autor

Deixe um comentário

banner