ROTEIROS ALGARVE – Voar mais além do que as asas das gaivotas

Pelo ar é que vamos, espreitar o Algarve de lugares altos, mais além do que as asas de gaivotas, águias e cegonhas, em maquinetas que deixam o mundo a seus pés. Depois da manhã a mergulhar, vamos voar.

O Cabo de São Vicente, (Vila do Bispo), no barlavento algarvio, a duas ou três falésias de distância da Fortaleza de Sagres, já foi o ponto mais afastado do mundo conhecido.

Pelo ar é que vamos, espreitar o Algarve de lugares altos, mais além do que as asas de gaivotas, águias e cegonhas, em maquinetas que deixam o mundo a seus pés. Ou talvez nem tanto, é suficiente trepar à esguia torre de um farol para ver terras de Espanha, areias de Portugal.

Há uma desculpa perfeita e politicamente correta para não se deixar torrar pelo sol do meio-dia das praias algarvias, e não estamos a falar dos terríveis raios UVA da nossa estrela residente. Depois da manhã a mergulhar, vamos voar.

Há ‘voos’ rasando a costa, as águas estremecendo por via da brisa morna, que partem dos aeródromos de Portimão ou no heliporto de Loulé.

São viagens de helicóptero, que antes de chegarem aos esteiros prateados da Ria Formosa ou aos espelhos inquietos que o sol desenha na Ria de Alvor, sobrevoam os verdes dos laranjais, as chapadas de cal branca das aldeias e cidades.

Normalmente, os percursos mais pequenos são de 20 minutos, em passarolas que levam pelo menos 4 pessoas, mas tudo é negociável e portanto é uma boa ocasião para praticar a bela arte sulista de regatear.

Com mais uma pitada de adrenalina, também estão disponíveis viagens de balões de ar quente, com descolagem nos aeródromos de Lagos e de Portimão. E para sonhos ainda mais radicais, há batismos de paraquedismo, com aterragem no aeródromo de Alvor, um dos clássicos na Europa para esta prática.

Eis, também, o voo de parapente, que se pode realizar na serra e sobre o mar. Porém, os voos de parapente dependem do vento, pelo que têm de ser marcados com alguma antecedência. As experiencias tipo gaivota ou andorinha que volteiam, planam, dedilham o ar, dependem das correntes aéreas, tecnicamente conhecidas por correntes térmicas ou dinâmicas. Deixemos as explicações para o instrutor que acompanha os destemidos.

E agora chegou a altura de tentar avistar terras de Espanha e as areias de Portugal, como o marujo que subiu à gávea da nau Catrineta.

Com os seus 52 metros acima do nível do mar o Farol de Vila Real de Santo António que fica na margem direita do Rio Guadiana, de terras de Espanha mostra Ayamonte, na foz do rio. Quanto às areias de Portugal, para Oeste vislumbram-se a ampla baía de Montegordo e para Nordeste a vila raiana de Castro Marim. Visitas gratuitas às quartas, das 14h00 às 17h00.

Neste mesmo horário, há oportunidade de subir ao Farol de Santa Maria, frente a Faro. São 220 degraus mas a vista compensa. Está ali a Ria Formosa, encantadora, as cidades de Faro e Olhão, as comunidades piscatórias da ilha Culatra e Farol.

Outra vantagem é a pequena viagem de barco necessária até chegar ao farol. Para chegar ao Farol de Santa Maria há que apanhar o barco em Olhão para a Ilha da Culatra.

Antes de rumarmos para o outro extremo do Algarve, há outro lugar que faz as vezes de um drone, com imagens tridimensionais. É a Câmara Obscura de Tavira, cujo sistema de lentes está montado num antigo depósito de água e através do qual se pode fazer uma visita virtual à cidade e aos seus monumentos. No horizonte, ainda e sempre, o mar, a praia do Barril, a ria Formosa.

O Cabo de São Vicente, (Vila do Bispo), no barlavento algarvio, a duas ou três falésias de distância da Fortaleza de Sagres, já foi o ponto mais afastado do mundo conhecido. Envolto numa áurea de mistério que as falésias, o vento e a vegetação selvagem impõem, a sua carga mítica sente-se.

Utilizado como local de culto desde o neolítico, os gregos relatavam cerimónias religiosas e a proibição da presença de humanos à noite, destinada às libações dos deuses.

É neste local mágico que se ergue o Farol do Cabo de São Vicente que inicialmente foi uma torre onde os habitantes acendiam luzes a sinalizar a costa bravia.

Hoje, possui uma ótica que é das mais ‘brilhantes’ e com maior alcance da Europa e a maior de Portugal, instalada no edifício de 1846, recuperado e aumentado no princípio do séc. XX.

Como os restantes faróis, entre eles o de Alfanzina no Cabo Carvoeiro (Lagoa) está aberto a visitas gratuitas entre as 14h00 e as 17h00, sempre às quartas-feiras.

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