RTP, série “Ministério do Tempo” parou por incapacidade da produtora

Há salários em atraso e a empresa produtora não consegue cumprir com compromissos.

A série televisiva “Ministério do Tempo” não deverá regressar aos écrans da televisão pública, os actores e demais trabalhadores têm salários em atraso e a RTP descarta quaisquer responsabilidades no assunto.
Este problema foi tornado público em 4 de Junho, com uma carta publicada nas redes sociais pelo actor António Capelo, um dos protagonistas da série. “Mais uma vez, os ordenados não são pagos no final do mês. Voltámos a parar e, ao fim de um mês, a situação não está sequer em vias de resolução”, lê-se na carta.
Na carta, que é também assinada pelos atores Luís Vicente, João Craveiro, Andreia Dinis, Mariana Monteiro, João Vicente, Samanta Castilho, Carla Andrino e Ângelo Rodrigues, são referidos vários percalços pelos quais a série passou, ainda durante a primeira temporada, a cargo da produtora Iniziomédia, e já nesta segunda temporada, a cargo da produtora JustUp, com atraso no pagamento dos ordenados.
O Cena – Sindicato dos Trabalhadores do Espetáculo, do Audiovisual e dos Músicos (CENA-STE) anunciou agora, em comunicado, que os trabalhadores da série “Ministério do Tempo” continuam sem garantias de pagamento dos salários em atraso.
Devido ao atraso no pagamento dos vencimentos, os trabalhadores decidiram interromper a produção, mesmo faltando ainda gravar seis episódios para completar a segunda temporada.
O CENA-STE já se tinha reunido com a produtora Just Up, tendo esta informado o sindicato de que “poderia ter uma solução que lhe permitiria saldar as dívidas”, mas a verdade é que a situação se mantém inalterada.
“O elenco e a equipa técnica continuam assim a ser lesados no seu direito fundamental de serem remunerados pelo trabalho feito”, lamenta o sindicato.
Segundo o sindicato, a RTP deveria esclarecer o que correu mal, até porque trata-se de uma produção paga com dinheiro público e, portanto, a RTP deveria esclarecer publicamente o que se passou e quais as consequências que a televisão pública retira desta situação.
O “Ministério do Tempo” é um formato original da empresa espanhola Veralia apresentado à RTP pela Iniziomedia, sendo que os 13 primeiros episódios foram produzidos por esta empresa.
Quando a situação veio a público, a RTP também emitiu um comunicado sustentando que, independentemente do que viesse a acontecer, iria “manter a estratégia de lançar novas séries a partir das propostas apresentadas pelas produtoras”, mas sem mencionar nenhuma preocupação com eventuais repetições de situações similares.
De acordo com a RTP, a Just Up informou das dificuldades em fazer as gravações da segunda temporada da série “Mistérios do Tempo”, mas “não comunicou definitivamente a sua incapacidade” em prosseguir a série televisiva.

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