Torá antiga fica na posse da autarquia da Covilhã

Livro sagrado dos judeus encontrado na demolição de uma casa no centro da cidade

Uma Torá, o livro sagrado da religião judaica, com mais de 400 anos, encontrada o ano passado numas obras de demolição de uma casa, vai ficar à guarda do município da Covilhã segundo decidiu o Tribunal da Comarca de Castelo Branco.
A questão da posse deste livro antigo foi levantada por um alegado proprietário do livro, um empresário de Castelo Branco, que reivindicava a posse do livro com o argumento de que tinha pago 100 mil euros a quem o encontrou.
O Tribunal decidiu agora a favor da Câmara da Covilhã, por considerar que o achador não podia vender o que não era dele e, portanto, trata-se de uma venda ilegal. “Feito o julgamento e produzida a respectiva prova, o tribunal decidiu que o referido empresário comprou a Torá a pessoa que não tinha qualquer direito de propriedade sobre tal objecto. E, não o tendo, não o podia transmitir por via de contrato de compra e venda celebrado por escritura pública'”, refere uma nota de imprensa do município, citando a sentença.
O advogado do empresário anunciou que irá recorrer.

 

A história deste livro

A 15 de Setembro de 2016, o município informou que tinha sido descoberta naquela cidade do distrito de Castelo Branco uma Torá com mais de 400 anos, em muito bom estado de conservação e que passou nessa altura a estar à guarda da autarquia para fins de estudo e avaliação da importância histórica.
Dias depois, o empresário Manuel José Correia, que é proprietário de um conhecido restaurante da cidade, anunciou publicamente que tinha comprado a Torá ao empreiteiro e que a transacção já estava formalizada e registada em cartório.
Invocando o interesse público do documento, a Câmara da Covilhã não procedeu a qualquer entrega e o empresário acabou por avançar com uma acção judicial.

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